A Arte Marcial
enquanto forma de
Desenvolvimento Global do Ser Humano

Porquê praticar uma Arte Marcial ?
Segundo a OMS, saúde define-se pelo "Bem estar físico, psíquico e
social". Se há algo que todos queremos, crê-se, é ter saúde. Ora a arte
marcial segundo a definimos e enquanto forma de contribuir para o
desenvolvimento global do Ser Humano, é uma forma privilegiada de permitir
estados de melhor saúde: Permite o bem estar físico, pois aumenta a
flexibilidade, tónus muscular, previne as doenças, contribuindo para o
desenvolvimento energético. Mais que isso, permite o bem estar psíquico pois
os exercícios exigem um esforço psicomotor e de coordenação, havendo mesmo
vários exercícios que envolvem um feedback bio-psíquico que, complementado
pela meditação e relaxação, permitem a vitalidade intelectual.
No âmbito social, a arte marcial proporciona um óptimo ambiente entre todos
os alunos, familiares e amigos, complementado pelos estágios e outras
actividades onde o vulgar estilo de obediência pelo medo ou punição é
substituído por um comportamento consciente, responsável e mediado pelo
próprio.
Arte Marcial como algo violento...
A expressão arte marcial significa arte de luta, o que parece sugerir algo
de violento. Nada está mais longe da realidade. Quem observar uma aula de
artes marciais, nota facilmente que esta é vocacionada para o combate.
Contudo afirmará que o combate está direccionado do eu para o outro e que
tem o intuito de eliminar o parceiro. Trata-se de uma ilusão que convém
esclarecer, em primeiro lugar porque jamais é objectivado magoar ou provocar
quaisquer danos ao parceiro. É certo que os conhecimentos podem ser
utilizados como forma de auto-defesa (passando o parceiro a adversário), mas
uma faca também o permite, apesar de ninguém atribuir à cozinha uma faceta
violenta. Por outro lado a direcção do combate não é a de eu para o outro,
mas do eu+ para o eu-, é um combate entre as características positivas e
negativas do próprio que visa o auto-aperfeiçoamento e auto-desenvolvimento,
auxiliado pelo parceiro que funciona como que um espelho mas um espelho que
riposta e permite uma troca de papéis e consciencialização do corpo.
Qual é a arte marcial melhor ?
De uma forma geral, cada escola afirma que a sua modalidade é a melhor. Esta
crença é compreensiva até por razões de coerência evitando o que se designa
por dissonância cognitiva.
No caso do Kyubudo, o que afirmamos é que de momento estamos a fazer aquilo
que nos parece ser melhor. O Kyubudo, para além de ser uma arte marcial
ecléctica, pois resume as "melhores" facetas das várias artes marciais, é
algo vivo, no sentido que nunca dá por terminado a procura do melhor. Assim,
ao contrário da maioria, ao afirmar que a nossa arte marcial é a melhor,
estaríamos a entrar em contradição já que não haveria razão para as
modificações que frequentemente ocorrem.
Como tudo o que é vivo, o Kyubudo também está em constante desenvolvimento.
Não podemos prometer que a nossa arte marcial é a melhor. Apenas prometemos
procurar sempre o melhor e não recear reformular toda a prática se esse for
o custo do aperfeiçoamento.
A competição nas artes marciais
Aprendemos da Biologia que a relação de competição é sempre negativa para
ambos os sujeitos. Num sentido mais humano, a competição também traz
aspectos negativos, mas há contudo um aspecto positivo a realçar: o esforço
para conseguir ser "melhor do que". Mas melhor do que quem? Melhor do que os
outros (heterocompetição) ou melhor do que eu próprio (autocompetição)?
Se bem que possa surtir efeitos, a motivação para ser melhor que os outros
parece-nos muito primária principalmente quando resumida na procura de um
troféu e principalmente se esse objectivo é conseguido à custa dos valores
humanos.
Assim, privilegiamos a auto-competição em que o próprio tenta ser melhor do
que o próprio e em que o prémio não é um bocado de lata mas antes o seu
auto-aperfeiçoamento e desenvolvimento global.
Faceta comum das artes marciais
O Ser humano tem uma tendência natural e até certo ponto positiva e
imprescindível de resumir a complexidade do mundo que o rodeia. Assim,
bastam alguns exemplos para se formar um protótipo do objecto em análise.
Todos estamos familiarizados com filmes de acção em que os actores
"praticantes de artes marciais" realizam acrobacias vistosas e aliciantes
condimentadas com um certo grau de violência. Por ser o mais acessível é
esta realidade que apreendemos no conceito de arte marcial. Mas será isto
que define uma arte marcial?
Como leitor mais atento já deve ter depreendido a resposta não pode ser
outra do que um não. Não, porque a arte marcial é uma auto-tarefa: É uma
forma de nos re-descobrirmos e de contribuirmos para o nosso próprio
desenvolvimento.
Não é necessário fazer pontapés altos e vistosos para ser karateka - isso é
para os artistas de circo - nem é necessário falar bem ou escrever bem. É
preciso ter força de vontade e persistência e mais do que isso é preciso
treinar pois é treinando que se adquirem as capacidades...
Em jeito de conclusão
Desta forma, convidamos todos os leitores a praticarem connosco numa aula...
praticar porque não é pensar é sentir! Não necessitam de ter kimono, não
necessitam de já ter praticado nem de ter grande agilidade... o que queremos
é que tenham vontade. Mesmo se continua a pensar que artes marciais não são
nada disto venha provar ou refutar o seu ponto de vista.
E-mail
geral@kyubudo.com para
informações adicionais ou ajuda.