Sobre
o Kenjutsu
O
Kendo, ou caminho do sabre, é considerado no Japão como uma das disciplinas
mais importantes das artes marciais. De fato, Ken jutsu e Iai jutsu (a arte
de matar desembainhando a espada) são extremamente úteis para desenvolver a
capacidade de estudar a distância, o ritmo do confronto, o controle da linha
central do corpo, de ter uma melhor percepção do adversário e dos seus
pontos nevrálgicos, da sua força e das suas fraquezas.
O Kenjutsu (a arte do sabre) é
reconhecido geralmente como arte marcial. Muitos praticantes do kenjutsu
começaram a questionar se uma compreensão mais elevada poderia ser
conseguida com a prática e o estudo com a espada. Assim, o kenshi
(espadachim) transformou a “arte da espada” (kenjutsu) em um “caminho da
espada” (kendo). Daí surgiu o kendo, como uma arte marcial separada.
Geralmente (mas não sempre) em artes marciais japonesas, os objectivos do
"Do" são para melhorar o interior, enquanto os do "jutsu" concentram-se em
ensinar as técnicas.
Os Kata (sequência de movimentos
formulados ou exercícios) são a maneira usual de aprender os movimentos
intricados requeridos. Inicialmente pratica-se individualmente, mas pode-se
praticar em dupla ou até mesmo com múltiplos indivíduos. A ferramenta-padrão
da prática é o bokken (espada de madeira simulada).
Em termos de aprendizagem, o kenjutsu tem
um currículo mais completo. No kendo, a necessidade limita a escala das
técnicas e dos alvos. Os praticantes de kenjutsu não usam geralmente o
shinai (protecções) no treino, preferindo usar bokken (espadas de madeira)
ou katana (espadas de aço) a fim de preservar as técnicas do corte da luta
real da espada. O treino de Kenjutsu consiste em praticar a técnica do corte
e executar o kata com o parceiro. Por razões de segurança, a prática livre é
raramente feita com katana.
A história do Kenjusu
O Kenjutsu, ou "arte da espada", teve
origem no Japão durante o período Muromachi (1390-1600), e sobriveu ao
passar dos tempos, com o período Tokugawa (1600-1860) e até mesmo aos dias
actuais, na sua forma original e no Kendo, uma arte marcial desportiva
desenvolvida a partir do Kenjutsu.
A espada era a principal arma dos
Samurais, a classe dominante daqueles dias. O Samurai portava duas espadas,
uma grande, a Katana, que era usada em ambientes abertos e uma espada menor,
a Wakisashi, usada também em ambientes fechados.
Cada feudo possuía uma escola de Kenjutsu,
onde normalmente o treino era feito usando espadas de madeira, conhecidas
como Bokken ou Bokuto. Era comum ocorrerem duelos, onde eram usadas tanto
espadas de aço como as de madeira. A maioria dos duelos acabava em morte ou
invalidez de um ou dos dois lados.
Entre os mais famosos praticantes de
Kenjutsu, destaca-se Miyamoto Musashi, O Kensei (santo da espada) que venceu
mais de 60 duelos, sem nunca ser derrotado. Musashi criou o Niten Ichi Ryu,
estilo que utiliza técnicas usando ambas as espadas simultaneamente. Musashi
também ficou conhecido por suas obras de pintura, escultura e poesia.
Outros estilos conhecidos são o Yagyu, o
estilo oficial do shogunato Tokugawa, o Itto-ryu, que influenciou a criação
do Kendo e o Suiyo Ryu. O auge do Kenjutsu veio ironicamente a ocorrer em tempos de paz, durante
os mais de 200 anos do shogunato Tokugawa. Com a restauração meiji em 1868,
o Kenjutsu tradicional sofre um declínio, quando é simplificado e adaptado a
competição. Assim nasceu o Kendo.
O Kenjutsu tem sua história misturada com a história do próprio Japão.
Suas técnicas e filosofia, que possuem uma forte influência do pensamento
Zen, transcendem o mundo das artes marciais, passando também a influenciar a
política, os costumes e as artes do povo nipónico. Actualmente, o Kendo e o
Kenjutsu, como as restantes artes marciais, transcenderam as fronteiras do
seu país de origem. Assistimos ao florescimento destas antigas técnicas no
Ocidente.
Luis Silva