As artes Marciais deste cedo fizeram parte da minha
vida, primeiro pelo visionamento de filmes de artes marciais, que de
certa forma espelhavam algo que desejava poder um dia alcançar mas
ao mesmo tempo pensava inalcançável. Com 13 anos dei o primeiro
passo numa caminhada que ainda hoje faço no sentido do
desenvolvimento não só marcial mas também filosófico, espiritual,
mental.
Foram muitas as artes marciais praticadas desde
então, umas mais focadas na filosofia e no poder mental (Aikido e
Tai Chi Chuan), outras mais focadas na aplicação prática, real (Kenpo
Karate, Karate Contact e Silat), outras mais focadas na beleza dos
movimentos e no aperfeiçoamento constante dos mesmos (Kung Fu
Shaolin) e ainda outros mais focados na vertente desportiva (Taekwondo
e Kenpo Contact). Em todas estas artes marciais descobri pontos
bastante positivos, outros bastante negativos, mas penso que o
progresso de selecção tem também de fazer parte de um praticante de
artes marciais.
Alguém dizia que “Educar é acima de tudo potenciar o
espirito critico” e assim sendo penso que deve ser papel dos agentes
de ensino potenciar o espirito critico. Foi a procura de uma
abordagem marcial mais aberta e mais focada na construção pessoal,
não limitativa que me levou a direccionar as minhas atenções para o
Kyu Budo.
Tomar a decisão de me tornar monitor de Kyubudo não
foi uma decisão tomada facilmente, e para tal contei com a ajuda
técnica do Dr. Rui Carreteiro que rapidamente me tentou integrar do
estilo. Tomar essa decisão carregava consigo a defesa de um
método/sistema que não sabia se queria tomar. Aquilo que o meu
treino me tinha mostrado era que todos os sistemas eram demasiados
limitativos. No entanto acabei por iniciar-me na formação para
monitor de Kyubudo, porquê?
A resposta está na base estrutural do Kyubudo, na
filosofia, na base moral, e mais importante nas respostas mentais
criadas nos alunos de Kyubudo. Os praticantes de Kyubudo desenvolvem
uma forma de pensar bastante idêntica à minha concepção do que deve
ser uma arte marcial e de como deve ser um praticante de artes
marciais. Os praticantes são treinados a questionar e a construírem
os seus próprios caminhos. Assim ensina-se o aluno a pesquisar,
procurar por si, experimentar, errar, formular os seus critérios de
selecção, avaliar e seleccionar aquilo que é mais importante para
cada um, tudo isto visando a procura do total desenvolvimento. Os
agentes de ensino Kyubudo servem assim não só como pedagogos mas
mais importante como guias que facilitam essa mesma procura, esse
mesmo crescimento, esse mesmo desenvolvimento. Para tal põe à
disposição dos praticantes artes previamente definidas por seu
líder, após uma procura também pessoal e ao mesmo tempo colectiva.
Artes não só marciais mas também energéticas, filosóficas,
fornecendo um conjunto de técnicas que potenciam o desenvolvimento
total do ser humano.